Breve história da competição
por Felipe Gaúcho, o idealizador do PUJ
Eu terminei o mestrado na Universidade Federal do Ceará em 2003, e passei a lecionar Java e Orientação a Objetos nas universidades privadas que apareceram devido à abertura do nível superior à iniciativa privada promovida pelo governo. Naquela época eu conheci professores e alunos de todos os quilates culturais e interesses, incluindo os muito bons. Infelizmente devido à fama ruim destas novas faculdades, os bons talentos ficavam sempre meio escondidos, pouco celebrados e em contra-partida as instituições públicas não conseguiam suprir sozinhas a crescente demanda por profissionais no mercado local de TI.
Nesta época eu trabalhava 40 horas no Instituto Atlântico como Analista de Sistemas e outras 16 horas lecionando Java em faculdades privadas e cursos de especialização. Ao mesmo tempo que ouvia a ladainha dos empresários e líderes de projeto sobre a falta de boa mão de obra, eu ouvia dos meus alunos a esperança de um espaço no mercado. Quase todo dia eu celebrava a paixão de ensinar e queria de alguma forma mostrar para o mercado a boa qualidade dos meus melhores alunos. Acompanhava o trabalho de meus colegas professores e sabia que eu não estava sozinho no sonho de um brasil melhor para todos. Foi daí que nasceu a idéia simples e natural do PUJ: vamos mostrar à indústria quantos bons talentos temos aqui. Idéia pronta, só bastava botar em prática – o que levou quase dois anos para acontecer.
Eu também era JUG leader, e quando eu comentei sobre a idéia recebi o habitual apoio na linha do “muito bom, tomara que funcione, boa sorte”
isso era 2006, eu não consegui fazer porque neste mesmo ano eu migrei com a família para a Europa. Trouxe para o velho continente os meus sonhos pessoais e as pessoas que eu mais amo no mundo, e também trouxe aquela idéia do PUJ …
Em 2007, a Europa me permitiu trabalhar apenas 40 horas e nas outras vinte eu fiz valer meus sonhos, um projeto open-source aqui, uma conferência ali e por fim: o PUJCE-07 – nossa primeira edição. Por falta de patrocínio e por ninguém conhecer a idéia, eu apostei na minha idéia: ofereci 100 dólares do próprio bolso ao primeiro colocado e divulguei o prêmio na lista de emails do CEJUG. Dois alunos submeteram trabalhos e eu contei com a ajuda de 3 avaliadores do mercado. Foi o suficiente, foi na verdade excelente porque todo mundo passou a conhecer o PUJ.
Em 2008, eu contei com o patrocínio de 3 empresas locais do Ceará e ofereci ao campeão uma ida ao Devoxx, na Bélgica, com tudo pago. 12 alunos submeteram trabalhos, e eu fui receber o aluno campeao na Bélgica. Fantástico evento, fantástico momento para o CEJUG – o PUJ não era mais um sonho, era realidade e já chamava a atenção da comunidade Java internacional.
Hoje o PUJCE-09 tem 4 patrocinadores e várias empresas de apoio, incuindo o reconhecimento da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ceará. mandaremos o campeáo novamente para o exterior, desta vez para o JavaOne, com tudo pago. Estamos esperando pelo menos 15 trabalhos, mas eu confesso que quero ver estourar o limite de 25 trabalhos – imposto para permitir que os avaliadores 20 concluam a avaliação com qualidade e no tempo previsto.
Durante todo este tempo de maturação da idéia e implementação do PUJ no Ceará, muitos membros do CEJUG ajudaram o prêmio a virar realidade – em especial Rafael Carneiro, Hildeberto Mendonça e Silveira Neto. Muitos outros nomes deviam estar aqui, e todos que participaram e ajudaram o PUJ a ser o sucesso atual merecem o reconhecimento do CEJUG por contribuírem a seu modo para que o Ceará se torne um lugar melhor para se trabalhar com Java.
Daqui pra frente o PUJ é história, é parte do CEJUG mas mantém os seus objetivos originais: revelar talentos ao mercado de trabalho e celebrar os bons professores e as boas instituições de ensino.

Comentários